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A imigração de famílias açorianas para o litoral catarinense, principalmente para Nossa Senhora do Desterro (Florianópolis) aconteceu em 1748. Uma parte do contingente de imigrantes se estabeleceu, mais tarde, no litoral norte do estado, vindo outras famílias para a região sul, fixando-se em maior parte em Santo Antônio dos Anjos da Laguna.
Nesta época, o caminho aberto em Araranguá já era um referencial e aos poucos também passou a receber descendentes destes imigrantes, que ajudaram a formar as primeiras sementes familiares e a implementar uma cultura própria, que, somada às de outros colonizadores, vindos mais tarde, constituíram a base cultural araranguaense.
A partir da segunda metade do século XIX Santa Catarina viu chegar as primeiras famílias de imigrantes continentais da Europa a procura de terras no sul do estado. Algumas localidades receberam imigrantes de diversas etnias e para Araranguá, no núcleo colonial “Cresciúma”, fixaram-se famílias principalmente de italianos, mas também de alemães e poloneses, que ocuparam em maior número a regiões de Braço do Norte e Orleans. Muitas das famílias de italianos seguiram de Criciúma para formação, um pouco mais tarde, dos povoados mais ao vale do rio Araranguá, onde hoje se localizam as cidades de Turvo, Meleiro e região. Em Araranguá, na localidade de Itoupava assentaram-se algumas famílias de alemães.
Aos poucos foi se delineando o perfil cultural da gente araranguaense. Aos valores trazidos pelos imigrantes europeus, somou-se a bagagem das famílias brasileiras vindas de outras regiões, dos tropeiros, dos descendentes de açorianos, negros e índios, com suas heranças culturais, folclóricas e religiosas. Constata-se como resultado, a diversidade de manifestações e do modo de ser e agir dos moradores, que aos poucos foram constituindo e preservando ao longo das gerações, a identidade e o patrimônio cultural do município e região, tão diversificado quanto o do próprio estado de Santa Catarina.
Quando o telegrafista Bernardino Senna Campos por aqui chegou em 02 de junho de 1894, às 2 horas da tarde, já existia um projeto urbanístico elaborado e dado publicado em 1 de setembro de 1886, pelo Engenheiro Antônio Lopes de Mesquita, tendo como título sugestivo “Planta da futura cidade de Araranguá”. Encontrou a vila de Araranguá, “Campinas”, como era geralmente conhecida, com 28 casas, sendo apenas 20 de telhas, o resto de palha e estuque. Na pequena praça de uns 50 metros em quadro, estava edificada uma igrejinha, pequena capela de tábuas, toscas, com a frente para oeste, tendo ao lado direito dois esteios e uma escada de madeira, e, em cima, um pequeno sino.
Em frente á praça atravessava o majestoso Rio Araranguá, mas com uma barra ingrata, numa praia isolada. Existiam uns 5 iates que viajavam para a capital, uma ou duas viagens por ano, quando a barra dava saída.
Em frente a igreja, numa casa de estuque e telha, estava o quartel. Noutra maior,de tijolos, um pouco atrás era a municipalidade.
Numa rua no extremo sul da vila, existiam 5 casas melhores, sendo uma delas a residência do Dr. Juiz de Direito, Virgulino Correia de Queiróz.
Encontrou uma banda musical que abrilhantava bailes e festas religiosas, principalmente a festa do Divino Espírito Santo, tradição açoriana.
Em 1 de janeiro de 1902, participou da inauguração da igreja matriz de Araranguá, desta vez de alvenaria.
Em 9 de setembro de 1902, deu-se o começo da construção de um teatro, projetado e administrado por Bernardino Senna Campos, o vigário Cóccolo e o construtor Luchina, às espessas custas do povo.
Em 7 de setembro de 1904 foi fundado o Clube Recreativo “7 de Setembro”.
Em dezembro de 1905 chegou pela primeira vez o vapor “Meta” da casa Hoepcke de Florianópolis, comprado especialmente para navegar entre Florianópolis - Araranguá.
Anita Brasileira, pega no mato com quatro anos de idade, mais ou menos. Teve como tutores João Apolinário de Souza e sua esposa, Dona Vivile, que sendo professora, a educou muito bem. Anita tornou-se professora e lecionou em Sanga do Veado. Como professora era enérgica, mas calma e muito pontual. Casou com Pedro Quirino Nunes, o Pedro mudo. Sabia costurar, cozinhar e tratava a todos com muito respeito e atenção. Anita Brasileira, uma grande mulher.
Na década de 20, se realizavam no Clube 15 de novembro, recém fundado, bailes à fantasia, nos dias de carnaval, abrilhantados pela Banda Municipal. A chegada dos trilhos da estrada de ferro “Tereza Chistina”.
O Hospital Bom Pastor ganhou um espaço amplo num grande casarão de belíssimo traço arquitetônico, que se situava no terreno onde hoje existe a Casa do Menor Madre Regina. Nas janelas as irmãs que administravam a entidade.
Na década de 40, o decreto nº 4 de 1º de outubro de 1941, do Prefeito Interventor Ruy Stockler de Souza, foi assinado o ato oficial que criou a Biblioteca pública municipal, Luiz Delfino. De início funcionou provisoriamente no gabinete do Prefeito Municipal. A Srta Ada Silva, foi a primeira pessoa a trabalhar na biblioteca.
Dado o diminuto espaço e a grande procura de livros, foi construído um pavilhão, independente, no centro do jardim Jardim Alcebiades Seara.
Sobre a biblioteca também foi construído um coreto e esta obra foi feita em homenagem a Luiz Delfino. Os dados principais dessa personalidade são:
Em 30 de janeiro de 1910, faleceu na capital Federal o grande poeta catarinense “Doutor Luiz Delfino dos Santos”. Representou ele a sua terra no Senado Federal.
Nasceu ele em 1834, tornando-se médico de fama, pediatra, mas antes de tudo, era um poeta nato, compondo cerca de 500 sonetos. Sendo já octogenário, foi ele coroado Príncipe dos Poetas Brasileiros, numa verdadeira apoteose, havida no Teatro Apolo, no Rio de Janeiro. Vai aqui um dos seus sonetos:
“Na rua Augusta, em Santa Catarina,
a cama em cima duns pranchões de pinho,
aí nasci, foi aí o humilde ninho
de uma criatura mórbida e franzina.
Nos fundos de uma loja pequenina,
O lençol branco a ardes na luz de linho,
Da minha mãe, da minha mãe divina,
Tive o primeiro e tépido carinho.
Meu pai foi sempre a honra em forma humana,
tinha a virtude máscula e romana,
não era austero só, era feroz.
Trabalhava incessante, noite e dia,
Como um leão seu antro defendia,
e era uma pomba para todos nós.”
Luiz Delfino, foi o maior poeta lírico do Brasil no dizer de Coelho Neto e de Cruz e Souza.
Em 1949, a Rádio Araranguá inicia suas atividades. Waldemar Pacheco seu primeiro locutor (ZYT – 3)
Na década de 50, com vôos regulares da Varig, aparecem os primeiros turistas, que começaram a descobrir nossas belezas naturais, nosso artesanato, nossa gente. No Balneário Morro dos Conventos e no centro da cidade, surgiram hotel e o novo Cine Roxy.
Araranguá já teve três salas de cinema antes do Cine Caverá:
1. Cine Glória, localizado na Av. XV de novembro, anos 30, exibia filmes mudo;
2. Cine Roxy, até anos 50, prédio em frente ao bar Central.
3. Em 1959 o novo Cine Roxy, um pouco adiante. Funcionou até 31/12/94, com o drama “Minha Vida”.
A cidade tem também um Farol, que é guia dos navegantes desde 1953.
Características:
• Altura = 8 metros
• Altura do foco em relação ao nível do mar = 82 metros
• Considerando sua altura mais a do próprio morro, alcance luminoso = 28 milhas marítimas
• Alcance geográfico = 23 milhas, considerando-se a curvadura da terra.
Ao contrário do que a maioria pensa, o Farol não tem sua utilidade somente a noite. Durante 24 horas emite informações para os navios, através de radares.